quarta-feira, 9 de setembro de 2009

SER E TER (ÊTRE ET EVOIR)

Mais de 1,8 milhão de pessoas foram assistir Ser e Ter na França em 2002. Inspirado no fenômeno francês das "escolas-de-uma-turma-só", o filme mostra a vida de uma pequena escola durante um ano letivo e aborda, de maneira serena e calorosa, a educação infantil no interior da França a partir de uma realidade bastante diferente da brasileira. A turma tem 12 crianças, com idades entre 04 e 10 anos, que compartilham a sala e aprendem juntas as mais variadas matérias. Tudo com um professor extremamente dedicado e paciente, que conduz as crianças à adolescência, respondendo às suas argumentações e ouvindo seus problemas.

A realização pessoal de qualquer indivíduo tem sempre em conta a sua profissão, seja ela qual for. Tudo depende do sentido com que encaramos o trabalho e quais os objetivos que pretendemos alcançar. Esta é a questão principal do filme “Ser e ter”.

A ação decorre nos anos 90, numa pequena escola francesa de província. Um professor concorrerá para aquele lugar com um propósito bem determinado: ensinar. Era um desafio. Teria de lecionar na mesma sala para crianças muito diferentes em idade, conhecimentos e até de raças, pois a mobilidade laboral já chegara à vila. As idades dos alunos variavam dos quatro aos onze anos.

O filme acompanha um ano letivo. Com o passar do tempo, seguiremos o decorrer das quatro estações. No Verão, os alunos mais velhos iriam para o colégio. Os mais novos continuariam os seus estudos com a chegada das novas crianças… A intenção deste filme foi revelar o mais autenticamente possível o que foi a vida do professor, como enfrentava as dificuldades que surgiam no dia a dia e como resolvia as disputas que surgiam entre as crianças. Retrata com esmero o modo como estabelecia a programação marcando os objetivos e prazos, como preparava as aulas tendo em conta as capacidades de cada aluno e o planeamento das atividades concretas que previa para as diferentes situações. O professor tinha a noção clara de que não estaria ao lado destas crianças para sempre. Por isso, procurava criar e desenvolver a autonomia de cada um dos alunos, propondo-lhes trabalhos onde tinham de tomar decisões e revelar iniciativa. Estimulava-os também a irem ao quadro para vencerem o medo de serem gozados pelos colegas. E claro, conversava com cada um, ouvindo-os com tempo e com interesse, dando-lhes os conselhos que julgava apropriados.

No final o professor é entrevistado. São perguntas simples com respostas ainda mais simples, sobre a vida, a sua profissão, o ensino, pois o professor e os alunos são os próprios atores. Não há personagens, o que há são as próprias pessoas de carne e osso, mostrando uma humanidade que está no nosso poder construir.

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