domingo, 24 de maio de 2009

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA (ENTRE LÉS MURS)

Baseado em livro homônimo de François Bégaudeau (que interpreta a si próprio no longa), o filme relata as experiências de um professor de literatura em uma escola de ensino médio na periferia de Paris. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008 e indicado ao Oscar® 2009 de filme estrangeiro.
François e seus colegas professores preparam o novo ano letivo em uma difícil escola da periferia parisiense. Munidos das melhores intenções, eles se apoiam mutuamente para manter vivo o estímulo de dar a melhor educação a seus alunos. A sala de aula, um microcosmo da França contemporânea, testemunha os choques entre as diferentes culturas. E por mais inspiradores e divertidos que sejam os adolescentes, seu difícil comportamento pode acabar com qualquer entusiasmo de professores mal pagos. François insiste numa atmosfera de respeito e dedicação. Sem agressividade, consegue sempre surpreender os estudantes com sua franqueza.
Mas sua ética será testada quando os alunos começarem a desafiar seus métodos.

Entre os Muros da Escola” (Entre les Murs, França, 2008) se revela, desde o primeiro momento, um grande filme sobre essse caldeirão racial. Em uma narrativa concisa, em que a ação dramática jamais ultrapassa o limite geográfico dos muros da escola (daí o título, tanto o original quanto a tradução), Laurent Cantet discute o problema da imigração na França contemporânea, a relação traumática entre colonizadores e colonizados – e há aí, inseridos, também problemas de raça e de religião – e, de quebra, a falência de um modelo de ensino baseado numa hierarquia rígida, em que o conhecimento caminha numa avenida de mão única (professores ensinam, alunos aprendem), em um processo que vem se mostrando anacrônico já há vários anos, e não apenas na França.
Embora seja francês em sua essência, e tenha como tema central a relação de fraturas culturais e o ódio racial dissimulado que se vê atualmente na França multicultural, o filme de Laurent Cantet mostra-se universal na crítica corajosa ao modelo pedagógico anacrônico da escola média contemporânea. Neste ponto, a obra não trata de um problema francês ou europeu, mas ocidental. Nesses tempos de Internet, telefones celulares e jogos eletrônicos, professores e alunos têm dificuldades para se comunicar. O abismo geracional que divide as duas categorias é, em pleno século XXI, maior e mais profundo do que jamais foi. Sintomática, nesse sentido, é a incisiva cena em que uma aluna explica ao professor, no último dia de aula, que não aprendeu nada naquele ano letivo. Nesse sentido, “Entre os Muros da Escola” pode servir como valioso instrumento de reflexão, por parte de todos aqueles com algum grau de envolvimento em sistemas educacionais.
Cheios de boas intenções, estão decididos a não deixarem que o desencorajamento os impeça de tentar dar a melhor educação aos seus alunos. As culturas e as atitudes diferentes frequentemente colidem dentro da sala de aula, um microcosmos da França contemporânea. Apesar de divertidos e inspiradores, tanto quanto os adolescentes podem ser, o seu difícil comportamento pode, no entanto, pôr em causa o entusiasmo de um professor pelo seu trabalho mal pago. François insiste num atmosfera de respeito e empenho. Sem ser rabugento ou inflexível, a sua extravagante franqueza surpreende muitas vezes os alunos. Mas a ética da sua sala de aula é posta à prova quando os estudantes começam a desafiar os seus métodos.

"Cada vez mais as pessoas falam em tornar as escolas santuários. Eu queria, pelo contrário, mostrá-la como uma caixa de ressonância, um lugar atravessado pelas turbulências do mundo, um microcosmos onde se jogam de forma muito concreta as questões de igualdade ou desigualdade de oportunidades, de trabalho e de poder, de integração cultural e social, de exclusão." (Lauret Cantet)


LEGENDADO EM PORTUGUÊS.

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